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Embora seja o tema principal, é bom esclarecer que o Grun Blig não fala só sobre Fórmula 1! Os posts são divididos em alguns tipos:

CRÔNICA Textos elaborados, abordando temas diversos;

CRÔNICA SOBRE AUTOMOBILISMO Textos elaborados sobre F-1 e outras categorias do esporte a motor;

COMENTÁRIO DO DIA Textos pequenos e descontraídos sobre diversos assuntos, até mesmo automobilismo;

CONTO (OU NÃO CONTO?) Pequenos contos de ficção ou não-ficção;

AMIGOS PELO MUNDO Imagens e histórias fornecidas por amigos, dos quatro cantos do planeta;

PARANÓIAS URBANAS Textos bem-humorados sobre a arte de se viver em uma cidade grande.

BIBLIOTECA Análises semanais dos melhores livros sobre automobilismo já publicados em língua portuguesa, feitas por jornalistas e blogueiros. Todas as quartas no ar.

SELOS VELOZES Reproduções e informações de selos com temática automobilística publicados no mundo todo. Todas as quintas no ar. 

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Abaixo estão selecionados alguns posts que, de certa forma, sobrevivem ao tempo. Textos que são marcantes por motivos diferentes, mas que merecem uma segunda leitura.

Agradeço aos colegas jornalistas Carlos Garcia, da Rádio Capital-SP, e Gustavo Serra, do SporTV, pela sugestão do título desta seção. Boa leitura!

Crônicas:

003 - O silêncio e o Som da rua
007 – Aventuras em 13hp
019 – Os Especialistas
026 – Feliz Dia do Jornalista!
041 – A arte de desenhar matemática
042 – Inglaterra, 20 anos depois
054 – Partículas musicais
070 – Entre o coração e a raquete
075 – Eu tenho, você não tem
099 – Minuto de silêncio
113 – Valeu, amizade!
123 – Brasileiros?
128 – Freak Show
164 – Cartinha
177 – Gentileza gera Gentileza
201 – Vozes do Brasil
209 – Coração Tricolor

Crônicas sobre Automobilismo:

005 – Saudades de Nigel mansell
035 – Lá vem o negão
064 – Trocando os móveis
079 – Pit Fight
090 – A hora da verdade
098 – Trocando a guarda
150 – O carrinho do dedo verde
166 – Uma noite em Suzuka
187 – Memórias e memórias
191 – Móveis e utensílios
195 – Um mito chamado Villeneuve

Comentário do Dia:

008 – Levando bala
029 – Masters do baú
031 – Tecla SAP
033 – Calendário alternativo
050 – (Minhas) verdades sobre a Copa
081 – Imundice
082 – Não mereço
083 – Cacildis
131 – Uiaaaaaa!
140 – Fauna congressista
158 – F-1 no News
161 – Ele continua ali
171 – O Grande Desafio
185 – Jogo das Pistas
219 – Keep thinking!
232 – A cidade e a maravilha
 
Conto (ou não conto?):
 
458 – Trem Azul
 
Amigos pelo mundo:
 
460 – Trem bão
461 – Quem sabe, sabe
462 – Quanto custa, moço?
486 – Veva com boderazão
489 – Eita lugar frio...
 
Biblioteca:
 
483 - O Brasil na Fórmula 1
496 - Na Reta de Chegada
504 - A Face do Gênio
512 - Pela Glória e Pela Pátria
524 - Ayrton, O Herói Revelado
537 - Emerson do Kart à Fórmula 1
546 - Esta História
558 - O Boto do Reno
Paranóias Urbanas:
 
463 - Placa de piso escorregadio
465 - Aparar o cabelo
 

 

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24/07/2008 20:11
Post 699 – Selos Velozes
RENAULT F1 TEAM
(escrito em 24 de julho de 2008)

A série Selos Velozes desta semana pega carona no primeiro pódio de Nelson Ângelo Piquet, que foi o segundo colocado no GP da Alemanha. Em um ano problemático para a equipe Renault, Nelsinho foi o responsável por conquistar pontos importantes para o time francês, que ainda não havia conseguido nenhum pódio nesta temporada.

A Renault vive um momento de transição, após o bicampeonato de pilotos e construtores em 2005-06, impulsionado por Fernando Alonso. Sem o espanhol, a temporada 2007 já tinha sido um fiasco. Porém, mesmo com a volta de Alonso, 2008 está ainda pior. O time briga por posições intermediárias, vivendo de brilhos esporádicos, como as presenças do bicampeão na Q3 e o surpreendente resultado de Piquet em Hockenheim.

Mas, ainda assim, esta nova fase é mais rica em vitórias e títulos do que a primeira, cumprida entre as décadas de 1970 e 1980. Naquela oportunidade, a Renault revolucionou a Fórmula 1 com o desenvolvimento dos motores turbo. Mas, embora estivesse sempre entre as primeiras colocadas, a equipe nunca faturou o almejado Campeonato Mundial, retirando-se da categoria em 1985.



Um dos modelos desta fase, o R20 de 1981, é homenageado numa belíssima série lançada pela Polinésia Francesa em ocasião do centenário do automóvel, em 1986. Daí o símbolo ‘Auto 100’ desenhado nos cantos superiores. O modelo figura entre outros marcantes, de passeio e de competição, fabricados principalmente na França e nos Estados Unidos.

Trata-se de uma estampa dupla, cada uma no valor de 25 cents: na superior, há desenhos em 2D da frente e da lateral do carro. Na inferior, aparece uma foto do carro número 15 guiado pelo francês Jean-Pierre Jabouille naquela temporada, a última dele na F-1. Um desenho limpo e sóbrio, digno que um carro que, mesmo sem um título, entrou definitivamente para a história da Fórmula 1.

[Imagem retirada do site eBay, sem crédito divulgado]
enviada por Grünwald, Alexander



24/07/2008 00:06
Post 698 – Biblioteca, 18ª edição
AYRTON SENNA – VIDA E GLÓRIA
(escrito em 23 de julho de 2008, por Alexander Grünwald)



Existem muitas biografias sobre Ayrton Senna publicadas pelo mundo, a maioria delas escrita nos primeiros anos após a morte do tricampeão. Com tanta oferta no mercado, é natural que uma ou outra se destaque pela qualidade. Entre as estrangeiras, uma ótima opção é a produzida pelo inglês Ivan Rendall, que em português foi batizada como Ayrton Senna – Vida e Glória. No original, o título é Ayrton Senna – a Tribute.

Publicada na Grã-Bretanha em 1994, a obra chegou ao Brasil um ano depois, quando a comoção pela perda do piloto ainda era sentida por todo país. Com um excelente acabamento gráfico, capa dura, papel de primeira qualidade e ótimas e numerosas fotos – muitas delas coloridas, o livro já valeria o investimento. Mas o texto leve de Rendall valoriza ainda mais esta biografia.

Um aspecto, em especial, conta a favor do livro: ele consegue dar um belo panorama sobre a vida pessoal e as conquistas do piloto em cerca de 130 páginas. Após o prefácio do ex-piloto Stirling Moss, há sete capítulos apenas, o último deles chamado “histórico de carreira”, onde o autor faz resumos de poucas linhas sobre cada corrida do brasileiro, da F-Ford, em 1981, à última participação dele na Fórmula 1. Um show de informação.

Os demais capítulos são bem divididos, mostrando a progressão de Senna como piloto e o amadurecimento de Ayrton como pessoa. São bem explorados temas como o envolvimento familiar com a religião, a obstinação pela vitória, as brigas públicas com o francês Alain Prost e a dimensão que sua imagem tomou à medida que conquistava títulos e vitórias. O ponto fraco da obra é a maneira infeliz como o desafeto Nelson Piquet é tratado, sempre citado como vilão.

Fora isso, de uma forma geral Vida e Glória se destaca por não apelar à toa para o lado emocional, devendo constar como item obrigatório na estante de quem é fã do piloto ou simplesmente daqueles que não tiveram a oportunidade de ver o piloto correr.



Ficha técnica
Título: Ayrton Senna – Vida e Glória
Autores: Ivan Rendall
Editora: Melhoramentos
Formato: 24,5 x 24,5cm, capa dura
Páginas: 176
Lançamento: 1995
País de origem: Inglaterra

Todas as quartas o Grun Blig publica a análise de um livro dedicado ao esporte a motor. Caso queira publicar uma resenha neste espaço, envie seu texto para bligdogrun@ig.com.br, sem se esquecer de acrescentar a ficha técnica do mesmo e, sempre que possível, a imagem da capa. A ordem de publicação obedecerá a critérios editoriais, priorizando a qualidade do texto e a relevância da obra.

[Imagem 1 retirada do site Livronet.com.br e imagem 2 retirada do site Senna.ru, ambas sem crédito divulgado]
enviada por Grünwald, Alexander



23/07/2008 21:51
Post 697 – Crônica sobre Automobilismo
SENSACIONAL, ESPETACULAR
(escrito em 23 de julho de 2008)

Muito se fala do equilíbrio da Fórmula 1, mas a temporada 2008 da MotoGP tem se mostrado uma das mais emocionantes de todos os tempos, considerando o esporte a motor sobre duas ou quatro rodas. A categoria, apesar do grid vazio, vive um momento de muita competitividade, com três marcas e quatro pilotos muito competentes dividindo as vitórias e se revezando na liderança do Mundial.

Rossi, Stoner, Lorenzo e Pedrosa protagonizam um cenário mais ou menos semelhante ao que Massa, Hamilton, Räikkönen e Kubica vêm fazendo na F-1. Em ambos os casos, a imprevisibilidade dá o tom, inclusive com erros e abandonos inesperados temperando o campeonato.

No último domingo, o Grande Prêmio de Laguna Seca, nos Estados Unidos, foi o palco de um duelo que os fãs do motociclismo jamais vão esquecer. Valentino Rossi e Casey Stoner brigaram pela liderança por 25 das 32 voltas, trocando de posição inúmeras vezes desde a largada. Antes do australiano levar um tombo leve – e assim ter de se conformar com o segundo lugar –, os dois estiveram em vias de cair em diversos lances da prova. Um deles quando Rossi consolidou uma ultrapassagem na famosa curva do ‘saca-rolha’, usando a área de escape como pista.



Naquele momento, o multicampeão das duas rodas lembrou a assombrosa ultrapassagem de Alessandro Zanardi sobre Brian Herta na última etapa da Indycar, em 1996. Uma manobra lembrada de forma entusiasmada por quem assistiu, e que deixou o estadunidense procurando o carro de Zanardi até o fim da corrida. (Dizem as más línguas que ele está procurando até hoje...)

Pressão total

Depois de uma seqüência de seis corridas em oito finais de semana, a MotoGP dá um respiro aos pilotos e equipes. Serão quatro semanas de intervalo até a 12ª etapa, na República Tcheca. Faltam sete etapas, e até o fim do ano tudo pode acontecer. Veja só um resumo da evolução do Mundial 2008, corrida a corrida, até o momento:

- Na primeira etapa, no Catar, Casey Stoner venceu com a Ducati e foi o primeiro líder do campeonato. Tinha 25 pontos, à frente de Jorge Lorenzo, da Yamaha, e Dani Pedrosa, da Honda.

- Aí veio a Espanha e Pedrosa foi o melhor, vencendo e assumindo a liderança do Mundial com 41, à frente de Lorenzo e do companheiro dele na Yamaha, um tal de Valentino Rossi. Já Stoner sumia do top-3.

- A terceira etapa aconteceu em Portugal, onde Lorenzo, pela terceira vez o pole-position, venceu em sua terceira participação na categoria. E, adivinhe, se tornou o terceiro líder da temporada, empatado com Pedrosa nos 61 pontos. Rossi seguia em terceiro.

- Foram eles à China e finalmente Valentino faturou a primeira dele na temporada, fazendo com que houvesse o quarto vencedor em quatro corridas. O resultado é que Pedrosa voltou a ser o líder isolado, com 81 pontos. E Lorenzo, o segundo, estava apenas dois à frente de Rossi.

- Na França, deu Rossi de novo. E com a vitória, o italiano da Yamaha pulou para a ponta da tabela, com 97 pontos. Mas, logo abaixo, apareciam Lorenzo, com a outra Yamaha, e Pedrosa, com a Honda, empatados nos 94 pontos.

- Em casa, o Doutor emplacou a terceira seguida e deu uma respirada na liderança do Mundial. Com a vitória na Itália, ele foi aos 122. A mudança ficou por conta de Pedrosa, que subiu para o segundo lugar, superando Lorenzo.

- Parecia que o campeonato estava nas mãos de Rossi e de sua Yamaha, mas Pedrosa deu o bote na Catalunha. Ao vencer diante da torcida, não tirou o italiano (com 142 pontos) da liderança, mas diminuiu a diferença para apenas sete. Lorenzo, lesionado, não correu. E viu Stoner, dois pontos atrás, ameaçar seu terceiro lugar na tabela.

- Eis que veio a Inglaterra e Casey Stoner resolveu, enfim, dar o ar da graça. Venceu pela segunda vez no ano e tirou de vez a terceira posição de Lorenzo. Rossi permanecia líder, com 162 pontos, desta vez ampliando um pouco a vantagem para Pedrosa.

- Stoner triunfou novamente, desta vez na Holanda. Despachou Lorenzo e chegou ainda mais perto de Rossi. Sim, Rossi. A liderança, com 171 pontos, era agora de Daniel Pedrosa. Um cenário e tanto para a corrida que marcava a metade do campeonato.

- Casey Stoner, impossível, faturou mais uma, dominando na Alemanha. Tornou-se, assim, uma ameaça real a Pedrosa, que não pontuou. O resultado ruim do espanhol ajudou também Valentino Rossi. O italiano voltou a liderar, com 187 pontos.

- O duelo entre Rossi e Stoner pela vitória foi o ponto alto do GP dos Estados Unidos. Com a vitória, o piloto da Yamaha foi aos 212 e Stoner, em segundo, pulou para a vice-liderança do Mundial. Pedrosa, lesionado, não correu e ficou nos 171. Lorenzo poderia ter se aproveitado disso para diminuir a enorme diferença para o top-3, mas voou da moto na segunda curva e abandonou, sem pontuar.

A próxima etapa acontece dia 20 de agosto. Eles chegarão à República Tcheca na seguinte situação:

1) Valentino Rossi, Yamaha – 212 pontos (4 vitórias, 9 pódios, 2 melhores voltas e 1 pole)
2) Casey Stoner, Ducati – 187 pontos (4 vitórias, 8 pódios, 6 melhores voltas e 5 poles)
3) Dani Pedrosa, Honda – 171 pontos (2 vitórias, 8 pódios, 2 melhores voltas e 1 pole)
4) Jorge Lorenzo, Yamaha – 114 pontos (1 vitória, 4 pódios, 1 melhor volta e 3 poles)

Qual o seu palpite para este campeonato? Eu acho que dá Rossi, muito mais na competência do que no equipamento. A decisão deve ser apertada, bem apertada. Vale lembrar que a vitória vale 25 pontos, e que há 175 ainda em jogo. Vai pegar fogo...

[Foto retirada do blog do Pandini, sem crédito divulgado]
enviada por Grünwald, Alexander



22/07/2008 22:40
Post 696 – Crônica sobre Automobilismo
UM PÓDIO PARA A HISTÓRIA
(escrito em 22 de julho de 2008)

Pode um acidente com um piloto da casa tornar uma corrida melhor, de um momento para o outro? Infelizmente, para os alemães, sim. Ou felizmente, se analisadas as mínimas conseqüências da pancada de Timo Glock no muro dos boxes: por causa do alto grau de segurança dos carros atuais, o piloto da Toyota ficou só um pouco tonto e precisou abandonar a prova. Mas foi o responsável por um dos mais emocionantes GPs da Alemanha dos últimos anos.

O que era uma corrida monótona e previsível se transformou em um jogo de gato e rato com a entrada do safety car. Principalmente por conta de dois personagens: Lewis Hamilton, que ao contrário de outros 11 pilotos não entrou no box para fazer a segunda parada enquanto o carro de segurança estava na pista; e Nelson Ângelo Piquet, que largara da 17ª posição com a tática de apenas um pit stop, que deu muita sorte ao realizar a parada alguns segundos depois do Glock se espatifar.



No primeiro caso, o possível erro de estratégia da McLaren poderia ter arruinado a corrida de Hamilton. Mas, além de ter um carro velocíssimo em relação aos concorrentes, o inglês estava num dia inspirado. Com a vantagem anulada pelo SC, ele fez uma das grandes corridas de sua vida, talvez uma das melhores apresentações individuais do esporte a motor em 2008.

Com 25 voltas para o fim, o piloto do carro prateado puxava a fila formada com o SC, mas relargava com uma parada a menos que o pelotão que vinha atrás. Em sete voltas, abriu 15 segundos e parou no box. Voltou à pista em quinto lugar e sete voltas mais tarde já estava de novo na liderança. Escandalosamente rápido e com muito apetite, teve pouquíssimo trabalho para ultrapassar quem encontrava pelo caminho. E assim chegou à quarta vitória no ano, a oitava da carreira de 27 GPs, se isolando mais uma vez na liderança deste Mundial.

Pé quente, cabeça fria

A última ultrapassagem de Hamilton reeditou um duelo da GP2. Que durou pouco, porque o ultrapassado sabia que não estava ali com um equipamento de igual para igual, embora não devesse nada em termos de pilotagem. Parar na hora certa foi um golpe de sorte, sim. Mas se é verdade que a sorte ajuda a quem trabalha, o jovem Piquet trabalhou muito bem. Quando se viu entre os primeiros colocados, e dali progressivamente até a liderança da prova, não vacilou. Andou forte, jamais foi ameaçado pela Ferrari de Felipe Massa e foi inteligente ao não brigar com Hamilton.

Com o segundo lugar, o piloto da Renault estreou no pódio e levou a equipe ao top-3 pela primeira vez neste ano, coisa que seu companheiro Fernando Alonso, quase sempre mais rápido, vem tentando sem sucesso. Com Massa em terceiro, quebrou 17 anos de jejum sem dois brasileiros recebendo troféus – a última vez havia sido com Ayrton Senna e Nelson Piquet pai, no GP da Bélgica de 1991. De quebra, Nelsinho ajudou a compor o pódio mais jovem da F-1 em todos os tempos, mostrando ao mundo um sorriso que muita gente desconhecia.



Enquanto o mundo gira

Este resultado serve como um ‘cala boca’ aos críticos do piloto – em especial à imprensa européia – e pode ter acendido também o adormecido estilo primadona de Alonso. O espanhol largou na terceira fila, mas teve um dia de cão. Deu azar em disputas por posição, foi afobado em diversos momentos e acabou rodando pateticamente no fim da prova, que terminou em 11º lugar. E desandou a falar mal de Nelsinho, fazendo pouco caso do feito do brasileiro. Sinal de que o bicampeão pode estar, sim, de malas prontas para outro time.

Mas, até lá, Alonso terá que remar com o time francês contra a corrente, enquanto sonha com a falada vaga na Ferrari. A disputa do título, que já estava quente, transbordou em Maranello com o desempenho apenas razoável dos carros vermelhos. Com Kimi Räikkönen em sexto lugar, o que pintava como um campeonato particular pode virar uma histeria coletiva.

[Foto 1 retirada do site Autosport.com, creditada a XPB; foto 2 retirada do site Motorsport.com, creditada a XPB.cc]
enviada por Grünwald, Alexander



20/07/2008 01:11
Post 695 - Comentário do Dia
AMOSTRA GRÁTIS
(escrito em 20 de julho de 2008)

Hoje é dia de MotoGP no canal campeão. A corrida de Laguna Seca, nos Estados Unidos, será exibida ao vivo às seis da tarde, um horário diferente do habitual das provas européias. E, nesta etapa, apenas a categoria principal vai à pista. É a única vez no ano em que a MotoGP corre sem a companhia do pessoal das 250cc e das 125cc.

É claro que a MotoGP é espetacular, mas divertido mesmo é ver os pegas da molecada nas 125cc. Além do povo ser levemente sem noção (algo normal para uma categoria de entrada), os nomes dos pilotos são um show à parte. Tem um pelotão, em especial, que parece prateleira de farmácia. Confira só:

- Está com dor nas costas, aplique um Terol.
- Para problemas estomacais, nada melhor que um Talmacsi.
- E se o sistema nervoso precisar de um tarja preta, pode mandar ver um Pesek.

Pensando bem, um esquadrão desses cairia bem é na Stock Car. O que não falta por lá é laboratório farmacêutico...

enviada por Grünwald, Alexander



20/07/2008 00:51
Post 694 - Comentário do Dia
PÍÍÍÍÍÍÍÍÍ...
(escrito em 20 de julho de 2008)

Pois é, amigos. Por mais que parecesse, ela não era imortal. A rainha da comédia brasileira, Dercy Gonçalves, morreu neste sábado, aos 101 anos. A filha disse que ela chegou ao hospital fazendo barraco, que havia jogado bingo no dia anterior. Que estava, enfim, desbocada e cheia de gás como sempre. Agora vai fazer bagunça e desfilar seu maravilhoso mau-humor em outro plano, para alegria dos que já estão por lá.



Quando meu amigo Cadu mandou um torpedo informando o ocorrido, ainda assim sem deixar de lado o bom humor, lembrei de cara do post que escrevi ano passado para o extinto blog Papo de Quinta, quando Dona Canô completou um século de vida. Agora a zaga está desfalcada, sim. Mas acho que ainda vai demorar para outro jogador desse time sair de campo.

[Foto retirada do portal UOL, creditada a Tuca Vieira]
enviada por Grünwald, Alexander



19/07/2008 22:13
Post 693 - Sexta Marcha
SEXTA MARCHA, TIN TIN
(escrito em 19 de julho de 2008)

Invadindo o weekend, estamos no ar para fazer o tradicional informe de que a coluna Sexta Marcha desta semana está no ar deste ontem, hospedada como sempre no blog Voando Baixo. do meu amigo Rafael Lopes.

O texto, que pode ser lido clicando aqui, fala sobre uma turma que está brilhando mundo afora, apesar dos pesares. Sempre lembrando, também, que neste outro link você encontra o arquivo com todos os textos já publicados na coluna, semana a semana. Aproveite e salve em seus favoritos!

Mais tarde eu volto, se o sono não bater. De qualquer forma, bom domingo pra você!

enviada por Grünwald, Alexander



18/07/2008 04:52
Post 692 - Comentário do Dia
WELCOME TO THE JUNGLE
(escrito em 18 de julho de 2008)

Durante muitos anos, a descrição mais freqüente dos pilotos a respeito de Hockenheim, onde neste domingo será realizada a 10ª do Mundial de Fórmula 1 2008, deixava bem clara a diferença entre o clima, o ambiente, que havia nos quase 7km do traçado.

Primeiro, eles encaravam um longo trecho de aceleração plena floresta adentro, constituído por retões e algumas chicanes, onde era possível, segundo os competidores, sentir o cheiro das árvores. Depois, ao fim de cada volta, o transe ecológico era trocado pelo caldeirão formado pelos espectadores no pedaço chamado de 'estádio', composto por algumas curvas de baixa velocidade.

Pouco tempo atrás, Hockenheim foi reformado, e o desafio da floresta negra deixou de existir. O circuito ficou mais curto, mas o tal do estádio continuou ali, intacto, assim como era antes. Com o mesmo calor humano de sempre.

Confesso que nunca dei muita bola para o tal 'clima de arena' do qual eles falavam tanto. Para mim, era apenas uma licença semântica para explicar o conceito arquitetônico das arquibancadas que cercam a pista. Porém, mudei de idéia ao abrir há poucas horas o site da revista alemã AutoBild e dar de cara com a foto abaixo:



Diga se é ou não é impressionante...

[Imagem retirada do site AutoBild.de, sem crédito divulgado]
enviada por Grünwald, Alexander



18/07/2008 04:04
Post 691 – Crônica sobre Automobilismo
O PULO DO TOURO
(escrito em 18 de julho de 2008)

Sebastian Vettel foi confirmado como titular da Red Bull Racing para 2009, ao lado de Mark Webber. Como ele era ‘pule de dez’ para a vaga, a equipe fez muito bem em anunciar logo o rapaz. Primeiro, por ser o GP da Alemanha, casa dele. Segundo, para evitar mais especulações a respeito do cockpit que David Coulthard desocupará ao fim desta temporada. Sem falar que deve ter sido um presente e tanto para o piloto, que completou 21 anos duas semanas atrás.

Esta contratação (ou seria “promoção”, já que ele vem da filial Toro Rosso?) é mais um dos passos que o time austríaco está dando em direção ao topo na Fórmula 1. É um caminho longo e trabalhoso, no qual muitos construtores se perdem bem antes de atingir o objetivo. Mas a empresa de bebidas energéticas, agressiva e ousada em sua filosofia de marketing, não entra em competição alguma para ser figurante. Se os resultados não vierem, melhor nem estar lá.



Antes de Vettel, a equipe contou com outros jovens talentos ao lado de Coulthard, mas nenhum tão promissor como o alemãozinho. E, quando li a notícia do anúncio, lembrei imediatamente do que o escocês disse quando chegou à equipe, no início de 2005: “eles vão crescer e vencer corridas; mas acho que não estarei mais por aqui quando isso acontecer.”

E agora me parece que é exatamente isso que vamos ver. Depois de um ano ruim em 2006, a equipe voltou a evoluir no ano seguinte, marcando pontos com os dois carros. Neste ano, vem brigando com a Toyota, com ligeira vantagem, pelo posto de quarta força da categoria. E isso com um piloto mediano e outro em fim de carreira. Pois o nome que tem feito a verdadeira diferença não está ao volante, e sim à prancheta: é ninguém menos que Adrian Newey o responsável pelos projetos da RB.

Ano passado, Newey rompeu a linha evolutiva pós-Jaguar e apareceu com um modelo visualmente idêntico ao da McLaren – não por acaso a equipe onde trabalhara anteriormente, com grande sucesso. Já em 2008, revolucionou a estética dos F-1 com uma quilha escandalosa que foi logo incorporada pela Toro Rosso, e posteriormente copiada descaradamente por metade do grid.



Ninguém discute que Sebastian Vettel é um dos melhores – particularmente considero o melhor – entre os pilotos abaixo dos 25 anos que estão na Fórmula 1. Em termos de talento natural, não deve nada a Lewis Hamilton e Robert Kubica, por exemplo. Em apenas 17 corridas, já fez o suficiente para ser eleito pela imprensa como o substituto de Felipe Massa na Ferrari e efetivamente desejado pela McLaren quando Fernando Alonso pediu as contas do time inglês.

Em 2009, Vettel deve brilhar. Não só por sua pilotagem, mas também pela estrutura que terá ao redor. A Red Bull do próximo ano deverá vir ainda mais forte e consistente, brigando por pódios e – por que não? – pela primeira vitória. E o alemão,por este e pelos próximos anos, pode ser o homem certo no lugar certo.

[Imagens retiradas do site GrandePrêmio.com.br, creditadas a Red Bull/GEPA e Bertrand Guay/AFP]
enviada por Grünwald, Alexander



18/07/2008 03:20
Post 690 – Selos Velozes
JUAN MANUEL FANGIO
(escrito em 18 de julho de 2008)

Nesta quinta-feira, dia 17 de julho de 2008, a morte de Juan Manuel Fangio completou 13 anos. Quando recebeu a bandeirada definitiva, aos 84, o argentino ainda era o maior campeão de todos os tempos, com seus cinco títulos mundiais. Em 45 temporadas, nenhum outro piloto havia igualado ou muito menos ultrapassado esta marca.

Para lembrar a data, a série Selos Velozes desta semana homenageia esta lenda do automobilismo mundial, apresentando uma estampa produzida em 2007 pela ex-colônia portuguesa de São Tomé e Príncipe. Mesclando fotos e desenhos, o conjunto é de uma beleza inquestionável, fazendo jus à grandeza do personagem.



Carregado em tons que variam entre o cobre e o dourado, o selo mostra três ilustrações bem distribuídas. Acompanhando o rosto do piloto, há um troféu trabalhado e um carro com motor dianteiro, característico da década de 1950, época em que Fangio correu.

Já a folha traz as imagens de duas Mercedes e de uma Ferrari, carros que deram a ele três de seus títulos, além de um retrato de rosto em preto e branco no qual os óculos e o gorro usado pelos pilotos naquele tempo não são esquecidos.

Denominado simplesmente Juan Manuel Fangio, 1911 – 1995, o souvenir se esforça para dar a dimensão do homenageado em um texto simples, que soa curioso aos ouvidos desacostumados ao português com sotaque lusitano. Mas que não deixa de citar a lendária performance no GP da Alemanha de 1957, que na ocasião completava cinco décadas.

Todas as quintas o Grun Blig publica a reprodução de um selo ou uma série emitidos em homenagem ao esporte a motor em qualquer parte do mundo. Caso queira contribuir com este espaço, envie sua sugestão para bligdogrun@ig.com.br, sem esquecer de anexar a imagem e as informações sobre a estampa.

[Imagem retirada do site eBay.com, sem crédito divulgado]
enviada por Grünwald, Alexander



17/07/2008 04:06
Post 689 – Biblioteca, 17ª edição
FÓRMULA 1, CAMPEÕES E CAMPEONATOS
(escrito em 17 de julho de 2008, por Alexander Grünwald)



Dizer que um livro “ilustra bem” um determinado tema é uma expressão que usamos de forma corriqueira. Mas, às vezes, esta mesma expressão serve também ao pé da letra. É o caso de Fórmula 1 – Campeões e Campeonatos, de Julio Cezar Tortato. A obra de grande formato, lançada no início de 2006, não traz apenas informações e estatísticas sobre as 56 temporadas da categoria de 1950 a 2005. Vai além, viajando visualmente pelas lembranças do leitor.

Cada página dupla representa uma temporada e contém, invariavelmente, a mesma configuração: acompanhando belos desenhos, há uma tabela com todos os Grandes Prêmios do ano, mostrando o número da prova, a data, o local, o circuito e os nomes dos três primeiros colocados, com suas respectivas equipes e bandeiras dos países de origem; logo abaixo, é apresentada a classificação dos pilotos ao fim daquele Mundial, embora sem a pontuação de cada um; à esquerda, um breve resumo do campeonato, onde o texto mostra atenção especial com as mudanças estéticas e mercadológicas da categoria.

Mas o que chama atenção em cada temporada retratada é, de fato, o cuidadoso trabalho de Tortato como ilustrador. O desenho do carro do campeão tem presença garantida no perfil de cada ano, com grande destaque. Em tamanho menor, aparecem outros bólidos marcantes daquela temporada. O livro, todo em cores, é dividido em duas partes. A primeira retrata a era romântica, que vai até 1971. A segunda, que começa com o brilho do título de Emerson Fittipaldi na Lotus, aborda a profissionalização do ‘circo’. Em ambas, o farto repertório de ilustrações feitas à mão – uma mais legal que a outra, diga-se de passagem – dá o tom da obra.

Mas se engana quem pensa que todos os desenhos são do próprio autor. O grande mestre dos quadrinhos, Rodolfo Zalla, um argentino que vive no Brasil desde 1963, responde pelos retratos dos pilotos campeões. Feitos a lápis, eles mostram o rosto de cada competidor em preto e branco, com a elegância e o estilo característicos do traço de Zalla.

Mesmo com pequenos erros de revisão (trocando a nacionalidade de alguns pilotos e o nome de determinadas pistas, por exemplo), o livro funciona também como um belo banco de dados, de consulta rápida e prática. Um complemento e tanto para uma obra recheada de arte sobre rodas.

Ficha técnica
Título: Fórmula 1 – Campeões e Campeonatos
Autores: Julio Cezar Tortato
Editora: Companhia Editora Nacional
Formato: x cm, capa mole
Páginas: 120
Lançamento: fevereiro de 2006
País de origem: Brasil

Todas as quartas o Grun Blig publica a análise de um livro dedicado ao esporte a motor. Caso queira publicar uma resenha neste espaço, envie seu texto para bligdogrun@ig.com.br, sem se esquecer de acrescentar a ficha técnica do mesmo e, sempre que possível, a imagem da capa. A ordem de publicação obedecerá a critérios editoriais, priorizando a qualidade do texto e a relevância da obra. O blogueiro pede desculpas pelo atraso de um dia na edição desta semana, devido ao excesso de trabalho.

[Foto: divulgação]
enviada por Grünwald, Alexander



15/07/2008 19:02
Post 688 – Comentário do Dia
SONHAR NÃO CUSTA NADA
(escrito em 15 de julho de 2008)

Rubens Barrichello ainda colhe os louros do bom resultado em Silverstone. Na semana após o GP, o site oficial da Fórmula 1 fez uma enquete, perguntando qual dos pilotos que foram ao pódio na Inglaterra havia tido o melhor desempenho. Não sei como terminou, mas na última vez que abri, o brasileiro estava dando uma lavada em Lewis Hamilton e Nick Heidfeld, com 54% dos votos.

Depois da Inglaterra, a Honda tratou de amaciar o entusiasmo, emitindo um comunicado em que minimiza as chances de pódio na Alemanha. Mas se chover novamente, não custa sonhar com um bom resultado de Rubinho. Afinal, a combinação Barrichello + Brawn + Hockenheim + chuva nos traz boas lembranças...



Edit:
(em 16 de julho de 2008)

Relendo este post um dia depois de ter publicado, lembrei de uma entrevista de Barrichello após a corrida, dedicando o resultado ao filho mais velho, Eduardo. Eles se falaram ao telefone após a classificação, no sábado.

“Quando fiquei em 16º, ele me disse que rezaria para que chovesse. Na hora, eu só registrei, mas agora, olhando em retrospecto, isso tem um peso incrível”.

Tem mesmo. Digam o que quiserem, mas o fato é que estas coisas são de emocionar.

[Vídeo retirado do Youtube]
enviada por Grünwald, Alexander



11/07/2008 14:35
Post 687 - Sexta Marcha
SEXTA MARCHA, CHEIA DE EXPERIÊNCIA
(escrito em 11 de julho de 2008)

Semaninha no sufoco, espremida entre duas viagens, na prática com três dias úteis para se trabalhar o equivalente a cinco. Sem crise. Vamos levando na boa, trabalhando com velocidade, essa cachaça que nos vicia desde muito cedo.

A conseqüência é que muitos posts mentalmente já escritos acabaram ficando só na idéia - embora tenham chance de pintar por aqui na semana que vem. Os comentários sobre o fim de semana do GP da Inglaterra, por exemplo, só foram ao ar na quarta-feira. Por causa desta correria e do trabalho até o pescoço, nesta semana o vosso Grun Blig não trará as tradicionais seções Biblioteca e Selos Velozes. Mas na semana que vem elas voltam normalmente.

O que não pode faltar para encerrar a semana, seja ela como for, é a minha coluna Sexta Marcha, que está no ar no blog Voando Baixo, do meu amigo Rafael Lopes. O texto desta semana fala sobre dois veteranos que deram o ar da graça nas últimas semanas. Clique aqui e dê uma lida.

Aproveite para salvar este outro link nos seus favoritos, para ver todas as colunas de uma só vez, sempre atualizadas.

Um bom fim de semana pra você!

enviada por Grünwald, Alexander



10/07/2008 04:01
Post 686 - Comentário do Dia
VAMOS NESSA!!!
(escrito em 10 de julho de 2008)



[Foto retirada do site Motorsport.com, creditada ao GP2 Media Service]
enviada por Grünwald, Alexander



10/07/2008 03:50
Post 685 - Comentário do Dia
UM POUCO DE HISTÓRIA
(escrito em 10 de julho de 2008)

Donington Park sediou apenas uma corrida de Fórmula 1. Foi em 1993, quando Ayrton Senna assombrou o mundo com aquela que é conhecida como a melhor primeira volta de todos os tempos.

Neste fim de Semana, em Silverstone, foi anunciado que a pista voltará ao calendário, passando a ser a sede do GP da Inglaterra a partir de 2010. Na época, para quem não sabe, Donington abrigou o GP da Europa. O berço da Fórmula 1 vai dançar, pelo visto.

Assim que a notícia saiu, o site Motorsport.com fez uma visita a Donington Park, que está mesmo 'chumbriado', precisando de uma reforma. A galeria com as imagens da visita pode ser vista neste link. A foto abaixo foi retirada de lá. E retrata dois personagens e tanto, eternizados em esculturas de pedra. Coincidentemente, dois sul-americanos...



[Foto retirada do site Motorsport.com]
enviada por Grünwald, Alexander



10/07/2008 03:40
Post 684 – Crônica sobre Automobilismo
PITACOS DE CATEGORIA – GP DA INGLATERRA
(escrito em 10 de julho de 2008)

Pilotos

- Nick Heidfeld guiou muito, e ficou ainda mais na boa por causa da rodada de Robert Kubica. O companheiro que chegou a liderar o Mundial poderia ter retomado a ponta da tabela, mas não conseguiu manter-se na pista. Nick conseguiu – e conquistou pontos importantes com este segundo lugar. Com direito a uma ultrapassagem dupla, a segunda dele na temporada (a outra foi na Malásia).

- Levar esta Honda ao pódio vale como vitória. Pode até parecer lugar comum, mas a posição de Rubens Barrichello foi um verdadeiro feito. A tática adotada, de colocar pneus para chuva extrema, funcionou direitinho, pois foi o único pontuador a fazer três paradas e a usar estes compostos. Consciente da escolha, Rubens andou uma barbaridade e, em pouco mais de dez voltas, saiu do nono lugar (onde estava a 23 voltas do fim) e chegou a ser segundo. Abriu tanto que parou mais uma vez e ainda assim foi terceiro. Mostrou que ainda se sente à vontade com piso molhado, característica que marcou sua carreira.

- Kazuki Nakajima estava com pneus na lona perto do fim da prova, e acabou superado por Trulli na última volta, perdendo o sétimo lugar. Mas depois de uma escapada feia na primeira volta, Naka-san andou muito forte e chegou a dar um ‘passão’ em Felipe Massa e sua Ferrari. O menino é muito rápido, e tem se mostrado versátil, também. A Toyota deve estar pensando nisso ao ver as dúzias de cacas feitas por Timo Glock.

- Nico Rosberg, em contrapartida, esteve perdidinho na pista inglesa. A atropelada que deu num carro da Toyota estragou a festa de dez anos da parceria do time inglês com a Petrobras. Ter os dois carros nos pontos sempre é bom, ainda mais no momento de quase-ressurgimento que vive a Williams.

- Jarno Trulli pontuou mais uma vez e fez da Toyota uma ameaça real à Red Bull. As duas equipes correm quase sempre com um carro só (David Coulthard e Timo Glock pouco estão fazendo). Assim, cada ponto vale muito na batalha por uma posição no Mundial de Construtores.

- Nelson Ângelo Piquet andou de verdade por mais um fim de semana. Não deixou a Renault do companheiro Fernando Alonso desgarrar muito nos treinos, ultrapassou o espanhol na corrida e chegaria em boa situação se não tivesse rodado numa poça d’água. Acontece, é fato, mas Alonso andou até receber a bandeirada e foi o sexto, ao passo que Piquet não pontuou.

- Contando escapadinhas e rodadas, a impressão é a de que todos – sim, todos – os pilotos do grid saíram da pista em algum momento. Os sete que ficaram pelo caminho foram em conseqüência dos maus tratos da pista encharcada.

Equipes

- O GP da Inglaterra teve bons duelos entre companheiros de equipe, especialmente no primeiro terço da corrida. Destaques para Jarno Trulli x Timo Glock na Toyota, Nelson Ângelo Piquet x Fernando Alonso na Renault, Rubens Barrichello x Jenson Button na Honda e Kazuki Nakajima x Nico Rosberg na Williams.

- Fim de semana ótimo para a McLaren. Pole para Kövalainen e ótima largada dos dois carros, podendo assim ditar o ritmo da corrida com segurança. E vitória incontestável de Lewis Hamilton, que voou baixo no molhado. O rapaz colocou um minuto e oito segundos no segundo colocado. E, do quarto para trás, todo mundo levou pelo menos uma volta dele.

- Fim de semana péssimo para a Ferrari. A equipe errou de novo, apostando erroneamente na manutenção daquele nível de chuva. Não trocar os pneus de Kimi Räikkönen e Felipe Massa antes do temporal custou caro. As duas rodadas do finlandês tiraram alguns pontos preciosos na briga apertada pelo campeonato. E a tendência de escorregar certamente deixou Felipe Massa (um piloto que não anda muito bem na chuva) pouquíssimo à vontade. Como se diz na gíria carioca, estão “pedindo para vacilar”.

- Prova para ser esquecida pela família Red Bull. No fim de semana em que anunciou a aposentadoria, David Coulthard deixou a corrida na primeira volta, rodando de forma sincronizada com o seu provável substituto, Sebastian Vettel, da Toro Rosso. Apesar da primeira fila conquistada, Mark Webber fez uma corrida latrinária, errando várias vezes. De cara, ficou virado ao contrário depois de meia dúzia de curvas. Depois, mal parou no asfalto. Quem sobreviveu mais decentemente foi Sebastién Bourdais, que levou um baita susto durante a prova.

- Susto este provocado pela aquaplanagem de Adrian Sutil. O alemão embicou para a lateral da pista na frente de Bourdais, quicou e deslizou sobre a zebra e depois atravessou de novo o caminho do carro da Toro Rosso. O dia da Force India ficou completo com a rodada de Giancarlo Fisichella, que já foi bom de chuva, num ponto onde não conseguiu mais voltar. Os indianos ainda têm que remar muito, muito mesmo, para conseguir um pontinho.

enviada por Grünwald, Alexander



09/07/2008 21:14
Post 683 – Crônica sobre Automobilismo
O HERDEIRO DO TRONO INGLÊS
(escrito em 09 de julho de 2008)



Luís 22. Este é o título do novo rei do automobilismo britânico. O jovem monarca que ainda luta para anexar ao seu reino a maior das conquistas: ter o mundo do esporte a motor aos seus pés. Para isso, ele e seu exército prateado ainda precisarão enfrentar muitos adversários. Mas a tarefa do rapaz não será tão impossível assim, caso ele mantenha o costume de desbravar as águas e manter longe, bem longe, qualquer um que ameace seus domínios.

A coroação de Lewis Hamilton aconteceu neste domingo, após o chuvoso Grande Prêmio da Inglaterra de Fórmula 1. Após uma seqüência de erros e bobagens que colocaram em risco sua posição no campeonato e geraram um enorme mal estar com a imprensa da ilha da Rainha Elizabeth, o piloto parece ter voltado à velha forma. E em grande estilo, com uma atuação para plebeu nenhum botar defeito.

A jornada de Hamilton teve início após uma largada sensacional, quando não se tornou o líder da corrida porque o pole, o companheiro de McLaren Hëikki Kövalainen, atravessou o seu caminho e manteve a ponta. Mas a farra finlandesa durou apenas cinco voltas, quando a realeza de Hamilton veio à tona no dilúvio de Silverstone e a vitória passou a ser uma questão de tempo. Uma hora e meia de pura tensão, diga-se de passagem.



Enquanto Lewis passeava lá na frente, muita gente ficou pelo caminho, inclusive adversários diretos na briga pela vitória e pelo título. Quem sobreviveu merece destaque, especialmente os dois que foram ao pódio. Em segundo, Nick Heidfeld mostrou à BMW que merece continuar na equipe, num momento em que os alemães badalam Robert Kubica e sonham com Fernando Alonso. Já o terceiro posto ficou com Rubens Barrichello. Motivado e muito à vontade com pneus de chuva extrema, o veterano brasileiro ganhou seis posições na primeira volta e ultrapassou meio grid para acabar com um jejum de três anos longe do pódio.

Que não se ignore a grande prova de Lewis Hamilton. Mas sem dúvida foi dele, Rubinho, a melhor atuação do fim de semana.

Roda, roda, roda e avisa

Quando chegou à Inglaterra, Felipe Massa vivia um momento de sonho. Vinha de uma vitória convincente, após ótima recuperação num campeonato que parecia fadado ao fracasso, e ainda por cima com o status de líder do Mundial. Com a cerejinha do bolo de ser o primeiro brasileiro a atingir o topo da tabela desde Ayrton Senna, quinze anos antes.

Assim que entrou na pista, começou o pesadelo de Felipe. Uma batida forte no treino livre de sexta-feira não apagou a melhor marca do dia, conquistada pouco antes. Mas foi o indício de que as coisas não seriam tão tranqüilas assim para o brasileiro em Silverstone. Um problema bobo no treino classificatório deixou Massa em nono lugar no grid. Para piorar, a chuva intensa sobre a pista inglesa e os erros estratégicos da Ferrari culminaram na pior apresentação dele no ano – que periga ser também uma das piores de toda a carreira.

A liderança foi mantida em pontos (embora Hamilton leve vantagem nos critérios de desempate, tendo um 10º lugar, contra um 13º de Felipe), inclusive porque Räikkönen e Kubica tiveram contratempos. Mas o prejuízo maior é para a imagem de alguém que briga por um título desta envergadura. Massa rodou cinco vezes durante a prova. Levou uma volta antes da metade da corrida. E chegou a duas voltas do vencedor, em último lugar dentre os 13 que completaram.

A sorte dele, neste caso, é que os holofotes da imprensa italiana estão sobre a Ferrari, que tem errado muito além da conta. E pode contribuir decisivamente para que a McLaren dê o bote caso os italianos baixem a guarda. Nunca é demais lembrarmos de 1986...

[Fotos retiradas do Blog do Capelli, sem crédito divulgado]
enviada por Grünwald, Alexander



04/07/2008 13:10
Post 682 - Sexta Marcha
SEXTA MARCHA, FOGO CRUZADO
(escrito em 04 de julho de 2008)

Já está no ar a minha coluna Sexta Marcha desta semana, gentilmente hospedada no blog Voando Baixo, do camarada Rafael Lopes. Clique aqui para ler o texto, que fala sobre o duelo da vez na Fórmula 1. Nada de Alonso x Hamilton, Massa x Räikkönen ou coisa do tipo. A coisa é fora das pistas, mesmo.

Como de praxe, lembro aos amigos leitores que o arquivo com todas as colunas está disponível neste link. Se você perdeu alguma, é sua chance de ficar em dia!

Um ótimo fim de semana pra você!

enviada por Grünwald, Alexander



03/07/2008 23:12
Post 681 – Comentário do Dia
TRISTEZA NO AR
(escrito em 03 de julho de 2008)

A cada vitória do Fluminense na Libertadores, a Unimed, patrocinadora do clube, publicava um anúncio de meia página nos principais jornais do Rio de Janeiro. Este aí abaixo seria o anúncio de hoje, caso o Tricolor das Laranjeiras tivesse ficado com o título.

Era uma brincadeira e interessante sobre o clima na cidade após uma vitória, dizendo: “Haja pó de arroz. Parabéns, Fluminense, pela conquista da Libertadores 2008. Parabéns, torcida, pela festa.”



Esta quinta-feira, 3 de julho, amanheceu nublada no Rio de Janeiro. E, ao longo de todo o dia, pouco se viu do Cristo Redentor.

[Imagem retirada do site Globoesporte.com, creditada a divulgação]
enviada por Grünwald, Alexander



03/07/2008 21:41
Post 680 - Selos Velozes
DEUS SALVE A PRINCESA
(escrito em 03 de julho de 2008)

A série Selos Velozes desta semana faz uma referência ao GP da Inglaterra de Fórmula 1, que será disputado neste fim de semana. Inglaterra para nós, pois na Europa ele é tratado desde sempre como o GP da Grã-Bretanha.

Esta corrida já foi vencida diversas vezes por um piloto da casa. Entre eles, Damon Hill, que faturou a edição de 1994 numa grande exibição. Na ocasião, o troféu do primeiro lugar lhe foi presenteado por ninguém menos que a Princesa Diana, um fenômeno de popularidade entre os britânicos. Uma festa completa.

Uma imagem deste momento está reproduzida num selo feito em homenagem a Lady Di, impresso no Turcomenistão. Curiosamente, Hill é o coadjuvante da cena, já que a folha tem o recorte feito exatamente sobre o rosto da princesa, eliminando todo o contexto.

Infelizmente, a data da prensagem não foi encontrada. Mas é de se supor que tenha sido após 1997, quando Diana morreu em um acidente de carro em Paris.



Todas as quintas o Grun Blig publica a reprodução de um selo ou uma série emitidos em homenagem ao esporte a motor em qualquer parte do mundo. Caso queira contribuir com este espaço, envie sua sugestão para bligdogrun@ig.com.br, sem esquecer de anexar a imagem e as informações sobre a estampa.

[Imagem retirada do site eBay.com, sem crédito divulgado]
enviada por Grünwald, Alexander



03/07/2008 20:25
Post 679 - Comentário do Dia
ELE DISSE ADEUS!
(escrito em 03 de julho de 2008)

Depois de 16 temporadas, 237 corridas, 13 vitórias, 12 poles, 18 melhores voltas, 62 pódios e um vice-campeonato, ele disse adeus. David Coulthard, o piloto mais velho do atual grid, vai parar no fim desta temporada. O anúncio aconteceu nesta quinta, na coletiva do GP da Inglaterra. Emocionado, agradeceu a meio mundo - especialmente ao projetista Adrian Newey, que criou a maioria dos modelos guiados por ele - e ganhou, em sinal de respeito e admiração, um beijo do conterrâneo Jenson Button. DC é um personagem que fará falta à categoria, pois é considerado o último playboy da Fórmula 1.



[Imagem retirada do site Globoesporte.com, creditada à divulgação do piloto / site oficial]
enviada por Grünwald, Alexander



03/07/2008 20:11
Post 678 - Comentário do Dia
BONITA CAMISA, FERNANDINHO...
(escrito em 03 de julho de 2008)

Então tá, alguém tinha que vestir a camisa de campeão nesta semana... Se não é na pista, pelo menos o espanhol da foto está feliz com a conquista da Euro 2008!



[Foto retirada do site Autosport.com, creditada a XPB.cc]
enviada por Grünwald, Alexander



03/07/2008 17:08
Post 677 - Crônica
QUANDO TUDO ACABA
(escrito em 03 de julho de 2008)

Quando tudo acaba, cada um toma seu caminho e você continua ali, parado em frente à TV, é que as perguntas vêm. A camisa do Fluminense que absorveu o suor de duas horas e meia de absoluta tensão não tem as respostas. Apenas mais perguntas.

Por que um argentino com um histórico de polêmicas para apitar a final? Por que um discurso tão otimista durante a semana depois de tomar um 4 a 2 no primeiro jogo? Por que ignorar o fato de que um time que chega à final da competição tem valor, sim, tanto quanto o seu próprio time? Por que dessa forma, perdendo três pênaltis? Por que o destino haveria de castigar um cara como o Washington, exemplo vivo de superação?

Pois é, as perguntas não param. A cada momento de distração surge mais uma que, assim como as outras, não ajuda a explicar o que levou um grupo de guerreiros, que foram guerreiros até o último minuto de jogo, a perder um torneio continental nos pênaltis. O grupo que fizera a melhor campanha da primeira fase entre todos os 32 times. O grupo que passara de forma marcante por equipes como São Paulo e Boca Juniors nas fases de mata-mata. Que chegou muito mais longe do que muitos imaginavam.

Antes do jogo, o treinador garantiu que o time faria quantos gols fossem necessários. Se precisassem fazer dois, fariam dois. Se o número passasse a três, fariam três. E assim por diante. Mas o quarto gol, tão fundamental para o título, não veio. Chances não faltaram. Thiago Neves fez três, mas nem ele e nem Dodô, Washington, Conca ou qualquer outro que vestia a camisa tricolor conseguiu mexer mais naquele placar.



Não adianta chorar pelas marcações safadas do árbitro, que deu um impedimento inexistente, deixou um pênalti claro passar batido e ainda inverteu inexplicavelmente uma falta feita por um equatoriano que saltou para dar uma cotovelada no estômago do artilheiro da noite. A vida é assim. Por mais que você se esforce, há momentos em que dar 100% ainda é pouco. É preciso ir além, superar as dificuldades que já existem e também as que surgem pela má fé alheia. Se eles tinham doze em campo, que o time jogasse com seus onze absolutamente focados em fazer mais e mais gols. Como se aquele fosse o último jogo de suas vidas.

O Fluminense não venceu a Copa Libertadores 2008. Mas provou que pode conquistar algo muito mais importante do que competições no Brasil a na América: a autoconfiança. Por questões financeiras, é bem provável que este grupo se desfaça nas próximas semanas. Até que surja outra situação como esta, muita coisa pode acontecer na história do Tricolor das Laranjeiras. Mas, de uma forma ou de outra, este 2008 não será esquecido pelos olhos que acompanharam esta jornada, seja em campo, na arquibancada ou na frente da TV.

[Foto creditada à Agência Photocamera]
enviada por Grünwald, Alexander



03/07/2008 16:25
Post 676 – Biblioteca, 16ª edição
AUTOMOBILISMO NO TEMPO DAS CARRETERAS
(escrito em 02 de julho de 2008, por Alexander Grünwald)



No início do século XX, os veículos automotores eram novidade no Brasil. E, tão logo as máquinas iam chegando, crescia o anseio dos proprietários em provar que detinham os mais rápidos e modernos objetos do desejo que desfilavam reluzentes pelas ruas das grandes capitais.

Uma destas cidades era Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul. Que hoje, não à toa, é um dos estados brasileiros com maior cultura automobilística. O primeiro automóvel chegou naquelas bandas em abril de 1906 e, curiosamente, entrou em funcionamento graças aos conhecimentos de um italiano preso na Casa de Correção local. Exatos vinte anos depois, uma corrida disputada entre as cidades de Pelotas e São Lourenço do Sul daria a largada para uma riquíssima história sobre rodas.

Poucos anos depois das primeiras disputas, o cenário do automobilismo brasileiro – principalmente o gaúcho, devido à proximidade com os argentinos – seria dominado pelas chamadas Carreteras, veículos de rua transformados para as provas de estrada. Um tempo em que os irmãos Andreatta eram expoentes das corridas, desenvolvendo o automobilismo nacional antes mesmo da chegada das fábricas.

Coube à dupla Paulo Roberto Renner e Luiz Fernando Andreatta (este, filho de Júlio e sobrinho do lendário Catharino), recompor um pouco desta época no livro “Automobilismo no Tempo das Carreteras – em especial no Rio Grande do Sul”, lançado em 1992. Carente de um